Minha história

Maria Oliveira · 16 min de leitura · Julho 2026

Olá. Meu nome é Maria Oliveira e moro em Dronten, nos Países Baixos. Não sou nutricionista, não sou coach e não tenho formação especial em hábitos ou bem-estar. Sou apenas alguém que viveu muitos anos no modo automático até perceber que estava perdendo os pequenos momentos que realmente importam.

Tenho raízes portuguesas e cresci entre duas culturas. Meus pais se mudaram para os Países Baixos quando eu era criança. Lembro-me de ver minha mãe preparar refeições simples com o que tinha em casa, sempre com calma e presença. Naquela época, eu não entendia o valor disso — achava que a vida “de verdade” era a correria do dia a dia.

Depois da universidade, entrei no mundo corporativo. Trabalhei em escritórios, com horários longos, reuniões e prazos constantes. Acordava pensando no que precisava entregar e dormia revendo mentalmente a lista do dia. Comia o que aparecia, ignorava cansaço e achava que estava “progredindo”. Na verdade, estava apenas ocupando o tempo.

O momento em que algo mudou

Durante a pandemia, tudo parou. Sem viagens, sem escritório lotado, sem agenda cheia. De repente, eu tinha tempo — e não sabia o que fazer com ele. Foi quando comecei a notar coisas simples: o cheiro do café pela manhã, o som dos pássaros quando abria a janela, o prazer de caminhar sem destino.

Uma amiga me convidou para uma caminhada curta perto de casa. Não era nada especial — só 20 minutos. Mas depois daquela caminhada, eu me senti diferente. Menos agitada. Mais presente. Foi o início de tudo.

Comecei a inserir pequenos hábitos: caminhadas curtas depois do almoço, preparar lanches simples com o que tinha na cozinha, pausas de silêncio de 2 minutos entre tarefas, ler algumas páginas antes de dormir. Nada grandioso. Apenas gestos repetidos com consistência.

O que aprendi com o tempo

Com os anos, entendi que o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. O que funciona para mim hoje pode mudar daqui a alguns meses. Por isso não dou conselhos universais. Escrevo sobre o que experimentei, o que ajustei e o que ainda continuo testando na minha própria vida.

Por exemplo, a ideia de caminhadas curtas não veio de um livro de fitness. Veio de perceber que, quando eu saía para andar 15-20 minutos sem objetivo, a cabeça clareava e o resto do dia parecia mais leve. Não era sobre queimar calorias. Era sobre dar espaço para pensar.

O mesmo vale para lanches e refeições. Depois de anos comendo o que aparecia, comecei a olhar para o que já tinha em casa e criar combinações simples. Descobri que uma tigela com o que sobrou do almoço podia ser mais satisfatória do que um lanche industrial. Não era sobre “comer melhor”. Era sobre ter mais variedade sem complicar.

Por que escrevo aqui

Em 2023, comecei a anotar essas pequenas descobertas em um caderno. Quando uma colega perguntou se eu poderia compartilhar algumas ideias, resolvi colocar online. A Vinahava nasceu assim: um espaço onde falo de forma direta sobre o que funciona (ou não) na minha rotina. Sem promessas grandiosas, sem julgamentos.

Não tenho equipe, não vendo nada e não pretendo transformar isso em um negócio. É só um lugar onde registro o que aprendo vivendo. Se algo aqui ressoar com você, ótimo. Se não, tudo bem também. A vida é longa demais para seguir ideias que não fazem sentido para nós.

Hoje divido meu tempo entre o trabalho em administração (em ritmo mais calmo) e esses momentos de escrita. Gosto de cozinhar coisas simples, de caminhar pela natureza perto de casa e de experimentar novas combinações na cozinha. Às vezes visito Portugal, não para fugir, mas para lembrar como as coisas simples podem ser suficientes.

Se quiser conversar sobre qualquer coisa que leu aqui, pode escrever. Respondo quando posso. Obrigada por ler até aqui.

— Maria Oliveira
Dronten, Países Baixos · Julho 2026